A Oração de Ana

Oração de triunfo – Ana, esposa de Elcana e mãe de Samuel.

“Levantou-se Ana e, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente, e fez um voto com Deus dizendo: Senhor dos exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida”. (I Samuel 1:10 e 11)

 Temos aqui um dos mais amáveis e delicados perfis de mulher bíblica. Ana aparece como uma mulher de fé, sensível e corajosa. Uma mulher confiante no poder do Senhor dos Exércitos.

Ana morava em Ramá e tinha um marido chamado Elcana, levita descendente de Coate (ICr 6:22-28 e 33-38). Eles viveram no século XI a.C. Elcana ocupava posição social de destaque. Seguindo o costume da época, ele tinha uma esposa secundária de nome Penina.

Elcana era casado com duas mulheres, uma vez que, segundo o código de Hamurabi, se a primeira mulher fosse estéril, o homem podia casar-se com uma segunda. Tal dispositivo conjugal passou para a lei judaica (Dt 21:15).

A família de Elcana era religiosa. Anualmente se dirigia a Siló, situada a 18km ao norte de Betel, para adorar e oferecer sacrifícios ao Senhor. Ana era uma mulher triste e deprimida. Tinha um problema muito sério. Uma dor-companheira que a machucava muito, porque era estéril, não podendo dar filhos a seu esposo. Apesar de Elcana e Ana se amarem muito, eles sentiam a falta do que mais desejavam, ou seja, de terem filhos. Penina, segunda esposa de Elcana, fora contemplada com filhos, e exibia suas vantagens, atirando motejos e ironias contra Ana, a estéril, esposa preferida pelo marido. Sua rival a provocava excessivamente para a irritar e lhe fazer murmurar contra o Senhor. As lágrimas de Ana eram a alegria de Penina, que sentia-se recompensada pelo fato de não ser amada por Elcana.(I Sm 1:6).

Penina sentia-se ameaçada por causa da evidente atração do seu marido pela esposa preferida: Ana. Ciumenta e amargurada, Penina tentava preservar a auto-estima humilhando Ana. Sentia-se superior por causa dos filhos que tinha. Ana tinha muitas razões para sentir-se desencorajada e amargurada, afinal ela era incapaz de ter filhos e tinha que dividir o marido com uma mulher que a ridicularizava. Seu esposo, apesar de amoroso, não podia resolver o problema. Ana, em vez de vingar-se ou de abandonar a esperança, orava e apresentava honestamente o seu problema perante Deus. Ana, além de paciente, era piedosa, mas o seu sofrimento e a sua dor se transformaram em amargura, angustia e saturação. Os anos foram passando e a dor de Ana crescendo.

Um dia ela disse: Não agüento mais! Agora chega! Basta! Ana, então, vai à casa do Senhor e, prostrada, orou com toda a sua força, colocando o seu coração e suas lágrimas diante de Deus. Ana sabia que só Deus poderia resolver o seu problema. Ela precisava de uma cura física, mas também da cura da sua alma angustiada. Ela não tinha alegria. Sentia-se deprimida, humilhada e derrotada. Não queria mais comer, não queria mais viver daquele jeito, era uma mulher atribulada de espírito.

“Levantou-se Ana e, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente, e fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao senhor o darei por todos os dias de sua vida” (I Sm 1:10-11).

Ana fez um voto com Deus, uma aliança de fé e esperança prometendo a Deus que, quando recebesse a benção que desejava, ela entregaria de volta ao Senhor para honra e glória dele.

O sacerdote Eli, ao vê-la orando ao Senhor demoradamente e vendo que seus lábios se moviam descontroladamente, a teve por embriagada (I Sm 1:13 ). Mas o sacerdote logo percebeu que Ana estava orando fervorosamente, derramando o seu coração perante o Pai, e lhe abençoou dizendo: “que Deus lhe conceda a petição” (I Sm 1:17). Assim, a mulher se foi e o seu semblante já não era mais triste. Depois disso houve uma transformação em Ana. Ela concebeu e, passado o devido tempo, teve um filho, a quem chamou Samuel, pois dizia: “ao SENHOR o pedi” (I Sm 1:20).

Ana cumpriu o seu voto com Deus, pois Samuel, ao ser desmamado, foi entregue a Eli e viveu na casa do Senhor. Ana crescia espiritualmente. Substituiu o sofrimento pelo louvor. Se o pedido foi silencioso, a adoração foi em alta voz para que todos ouvissem o Cântico de Ana.

Ana teve seu pedido satisfeito, além de Samuel, ela teve mais três filhos e duas filhas.

Será que Deus não está esperando de você uma atitude igual a de Ana? Uma oração de entrega total? Um voto com Deus? Algo que ele possa realizar em sua vida e você possa devolver com alegria em gratidão a Ele para honra e gloria do seu nome?

Todos nós podemos enfrentar períodos de esterilidade, quando nada vem à luz em nosso trabalho ou em nossos relacionamentos. É difícil orar com fé quando nos sentimos tão vazios e inúteis. Mas, como Ana descobriu, a oração abre o caminho para Deus trabalhar.

Quantas mulheres, em nossos dias, enfrentam a mesma situação de Ana? Por que sofrer, então? Será somente os filhos biológicos realização e alegria para os pais? Não será a adoção uma forma de enriquecer as experiências de casais com e sem filhos, colaborando ao mesmo tempo para ampliar as oportunidades de crianças carentes que desejariam ter um lar, ter uma família dirigida por Deus? O que Deus deseja realmente para sua vida?

Ore como Ana, e Deus lhe dará resposta. Ele ama você.